Novidades

Chrysler 300C x Jaguar XJ x BMW 750i x Mercedes AMG S63
Chrysler 300C x Jaguar XJ x BMW 750i x Mercedes AMG S63

Criados para satisfazer os passageiros traseiros com contas bancárias distintas, eles têm tudo para agradar também aos motoristas.

Para quem é apaixonado por automóveis, é difícil de entender as pessoas que abrem mão do prazer de dirigir para entregar o volante a um motorista particular. E esse comportamento parece ainda mais estranho quando o veículo em questão é um carrão com estilo, tecnologia de ponta e desempenho superior, como é o caso dos sedãs mostrados nesta página.

Esse tipo de consumidor existe, no entanto, e as fábricas não economizam esforços para agradar aos clientes que preferem viajar no banco de trás. Aqui, reunimos quatro modelos de luxo que ilustram bem esse mercado em diferentes faixas de preço: Chrysler 300C (R$ 224.900), Jaguar XJ (R$ 555.800), BMW 750Li (R$ 709.950) e Mercedes-AMG S 63 (R$1.038.900).

Esses sedãs seguem uma receita comum que inclui espaço interno generoso, sistemas de entretenimento avançados e diversos mimos, como mesinhas do tipo avião, várias luzes de leitura e cortinas elétricas. Além desses ingredientes básicos, porém, cada marca refina os veículos a sua maneira.

Para avaliá-los, pensamos em um teste sob medida, que incluiu não só as tradicionais medições de pista, mas também a experiência de viajar no banco de trás, em roteiro pela cidade.

O Chrysler é o que se pode chamar de carro de entrada nesse segmento de alto luxo. Seu caráter básico se revela no acabamento, que emprega material emborrachado, no painel, e tecido, no teto, como a maioria dos carros comuns. E o 300C também é menos equipado que seus pares.

Visor central abriga velocímetro digital
Iluminação azul no painel não agrada a todos (Leo Sposito/Quatro Rodas)
De qualquer modo, ele se encaixa na categoria incluindo bancos de couro, sistema de som de grife (Boston Acoustics com seis alto-falantes), teto solar panorâmico, ar-condicionado com saídas traseiras e descansa braço traseiro com porta-copos.

O 300 C é ligeiramente menor que seus pares, no comprimento. Mas fica em posição intermediária, quando a referência é a distância entre-eixos. E empata com o BMW no espaço para ombros, na cabine.

Ar-condicionado tem saídas exclusivas para o banco traseiro
Ar-condicionado com saídas exclusivas, controles de aquecimento dos bancos e da cortina do vidro traseiro (Leo Sposito/Quatro Rodas)
Ele é o único V6 da turma. Os demais trazem motores V8 maiores e mais potentes. Por isso, seu desempenho é mais comedido. Embora, ao acelerar de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos, ele esteja longe de ser lento.

Em compensação, o Chrysler obteve o melhor consumo com as médias de 8,1 km/l, na cidade, e 12,5 km/l, na estrada. Isso é uma boa notícia para o proprietário, uma vez que é o motorista que acelera, mas é o dono que paga a conta do abastecimento.

Outra característica interessante do 300C é o bom comportamento da suspensão. Com estrutura duplo A na frente e multilink atrás, o sistema assegura elevados níveis de dirigibilidade e conforto, o que acaba por beneficiar tanto o condutor quanto o passageiro do banco de trás.

Jaguar XJ – R$ 555.800

Custando R$ 106.000 a mais que o 300C, o Jaguar oferece a sofisticação que falta ao Chrysler. Com couro até o teto e madeira nobre no painel e nas laterais das portas, o XJ vem com uma lista de equipamentos generosa.

Mostradores surgem em tela digital
Mostradores surgem em tela totalmente digital (Leo Sposito/Quatro Rodas)
Seu ar-condicionado tem ajustes independentes para cada quadrante da cabine, seus bancos (todos) têm ajustes elétricos e possuem ventilação, aquecimento e função massagem e o sistema de som da marca Meridian conta com 20 alto-falantes espalhados estrategicamente pela cabine.

Atrás, há duas telas para entretenimento, instaladas nos encostos de cabeça, e mesas embutidas nos encostos dos bancos dianteiros. E a suspensão, do tipo duplo A, nos dois eixos tem amortecimento pneumático.

O conjunto do Chrysler é competente, mas o do Jaguar é bem superior, proporcionando não só dirigibilidade e maciez ao rodar, mas também silêncio a bordo, mesmo quando o sedã circula por ruas malconservadas.

Atrás, o ar-condicionado conta com ajustes independentes para cada quadrante
Ar-condicionado conta com ajustes independentes para cada quadrante.

O XJ, aliás, se consagrou como o dono do menor nível de ruído a bordo entre os quatro sedãs avaliados. No que diz respeito ao espaço interno, 300C e XJ se equivalem nas distâncias disponíveis para pernas e cabeças.

E, na pista de testes, o Jaguar conseguiu o segundo melhor desempenho dos rivais, perdendo apenas para o Mercedes, que tem o motor maior e mais forte dos quatro.

Porém, o XJ demonstrou comportamento exemplar nas frenagens. Vindo a 80 km/h, ele percorreu 23,5 metros até a parada, enquanto o 300C, o segundo colocado, precisou de 26,9.

BMW 750Li – R$ 709.950

Subindo a pirâmide de ofertas, o próximo sedã é o BMW, que representa um salto ainda maior que o existente entre 300C e XJ, em acabamento, conteúdo e preço. A diferença de custo dele para o Jaguar é de R$ 154.150. Mas esse valor é plenamente justificável, considerando o que o sedã alemão entrega.

Lançado na Europa em outubro de 2015 (e aqui em novembro de 2016),o Série 7 é o mais moderno dos alinhados neste comparativo, reunindo o que há de mais avançado em equipamentos. Seu motorista conta com recursos de condução semiautônoma e uma central multimídia que reconhece gestos, entre outros.

E o passageiro do banco de trás, que é o foco desta avaliação, dispõe de um tablet (que pode ser levado para fora do automóvel) pelo qual é possível regular o ar-condicionado, a posição dos bancos e até rodar um aplicativo de fitness.

O BMW Vitality propõe exercícios para ombros e músculos das costas, monitora os movimentos por meio de sensores instalados nos bancos e gera relatórios de desempenho. Na traseira, há ainda duas telas de 10 polegadas, cortinas traseira e laterais com acionamento elétrico, mesa de apoio e frigobar.

O banco pode ser reclinado como uma poltrona da classe executiva dos aviões comerciais, inclusive com suporte para as pernas (embutido no encosto do banco da frente). E o teto solar duplo tem uma seção exclusiva para a traseira. O sistema de som, da marca B&W, vem com 16 alto-falantes.

Os passageiros do banco de trás dispõe de um tablet, pelo qual é possível regular o ar-condicionado e a posição dos bancos. Também contam com um frigobar.

Na pista de testes, o 750Li andou praticamente junto com o Jaguar. Nas medições de aceleração de 0 a 100 km/h, o XJ conseguiu com o tempo de 4,8 segundos, enquanto o BMW fez o mesmo em 5,1 segundos. Nas retomadas de 60 a 100 km/h, as marcas foram de 2,3 e 2,6 segundos, respectivamente.

Mas o 750Li obteve uma média melhor de consumo urbano, de 8,2 km/l, empatado com o 300 C, que tem motor V6. Mais interessante que isso, porém, principalmente para quem viaja no banco de trás, foi o comportamento da suspensão.

Com amortecimento pneumático, o BMW roda com uma suavidade comparável apenas com os sedãs ultraluxuosos da Rolls-Royce, o que não é mera coincidência, uma vez que os engenheiros da marca inglesa, controlada pela BMW, colaboraram com o projeto.

Mercedes-AMG S 63 – R$ 1.038.900

No topo do segmento, beirando os domínios dos sedãs exclusivíssimos como Rolls-Royce e Bentley, a opção mostrada aqui é o Mercedes-AMG S63, que custa R$ 328.950 a mais que o BMW 750Li. Seu principal diferencial é o motor V8 5.5, que gera 585 cv de potência e 91,8 mkgf de torque.

Eis aí duas boas razões para dar folga ao motorista e assumir o volante (a tração integral é outra). Em nosso teste, o AMG deixou os concorrentes na saudade, com o tempo de 4,2 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h e 2,0 segundos na retomada de 60 a 100 km/h. E fez isso com médias de consumo exemplares: na cidade ele ficou com a marca de 6,0 km/l e na estrada registrou 9,3 km/l, tecnicamente empatado com o Jaguar XJ.

Acabamento do Mercedes é o melhor
Quem viaja no banco de trás pode desfrutar também do maior espaço interno para cabeça, ombro e pernas, na comparação entre os quatro sedãs, bem como o maior número de mimos. Além dos itens presentes nos rivais, o Mercedes oferece acabamento de qualidade superior e acessórios como espelhos e luzes de leitura com leds dedicados para os ocupantes da traseira.

Seu sistema de som da marca Burmeister tem dez alto-falantes. Lançado em 2014, na sexta geração, e na véspera de passar por uma reestilização, o Classe S não conta com tecnologias tão modernas quanto às do BMW, no que diz respeito à condução autônoma e conectividade (alguns desses recursos já aparecem no recém-lançado Classe E). De qualquer modo, esses são sistemas que ficam sob os cuidados do motorista.

Após avaliar os sedãs como motorista e passageiro, chegamos à conclusão de que, no trânsito, há momentos em que andar atrás é mais confortável e permite evitar uma série de dissabores como fechadas, xingamentos e sustos.

Dono do maior espaço interno na parte de trás, Classe S vem com bancos com aquecimento, ventilação e massagens.

Por outro lado, terminamos por considerar que esse tipo de incômodo é mais fácil de ser suportado ao volante de um carro como esses, que oferecem conforto, espaço e itens como bancos elétricos, ar-condicionado, isolamento acústico eficiente e som de alta fidelidade, entre outros recursos. Em última análise, a principal vantagem desses sedãs está no fato de proporcionar ao proprietário a oportunidade de escolher: o prazer de dirigir ou o conforto de viajar atrás?
Doce dilema…

FONTE: Quatro Rodas